Karl Marx: A Fraude Burguesa por Trás da Fachada Comunista
- Príncipe Burguês Mimado: Infância Privilegiada e Juventude de Marx
- Núcleo Narcísico: Amargura, Rancor e Auto-Culto
- Hipocrisia para com o Proletariado: A Indiferença pelos Trabalhadores
- Fiascos Financeiros: Dívidas, Ressentimento contra a Usura e Ideologia Oportunista
- Fraude Intelectual: Plágio, Distorções e o Manifesto por Encomenda
- A Fraude Persistente e o Amargo Legado do Marxismo
“A burguesia arrancou à família o seu véu sentimental, e reduziu a relação familiar a uma simples relação monetária.” - Manifesto Comunista
A ironia dificilmente poderia ser mais cruel. O homem que acusava o capitalismo de corromper a santidade da vida familiar passou boa parte da sua idade adulta a discutir com parentes por dinheiro, renegou a própria mãe quando esta se recusou a sustentar-lhe os caprichos, e tratou os seus como um cofre a explorar. Karl Marx, tantas vezes louvado como profeta dos oprimidos, viveu menos como um asceta revolucionário e mais como um príncipe burguês mimado que nunca perdoou ao mundo por não lhe ter concedido a coroa.
Este ensaio propõe uma revisão do mito consagrado. Longe de um pensador abnegado, consumido pela compaixão pelos desvalidos, Marx surge, através das suas cartas, dívidas, traições e hipocrisias, como um oportunista narcísico cuja ideologia reflectia sobretudo rancores e fracassos pessoais. A sua alegada solidariedade com a classe operária escondia um desprezo real pelos trabalhadores de carne e osso, o seu “socialismo científico” apoiava-se em deturpações e ideias alheias, e o fervor revolucionário nascia menos do altruísmo do que do ressentimento por contas por pagar, orgulho ferido e desaires íntimos.
O que se segue não é hagiografia, mas desmascaramento. Da infância privilegiada aos fiascos financeiros, do fel que transbordava nos seus escritos à exploração que marcou a sua vida privada, o retrato que emerge é o de uma fraude atrás da fachada, um burguês a bradar contra a burguesia, não para libertar o operário, mas para aplacar a própria amargura. E se essa fraude lançou as bases dos regimes que mais tarde escravizariam, e matariam, milhões em seu nome, talvez tenha chegado o momento de deixarmos de o venerar como herói e de o reconhecer pelo que foi: o arquitecto ressentido de uma ideologia erguida sobre contradições.
Isto não significa negar que as primeiras condições industriais, o trabalho infantil e as jornadas de dezasseis horas das décadas de 1830 e 1840, fossem de facto horríveis e exigissem reformas. Mas, quando Marx forjou as suas teorias, a Grã-Bretanha já aprovara amplas Factory Acts que transformaram a realidade laboral. O dia de dez horas era lei, o trabalho infantil encontrava-se regulamentado, inspectores profissionais impunham normas de segurança. O génio de Marx não esteve em identificar problemas, mas em ignorar as soluções. Ergueu a sua teoria revolucionária sobre condições que já haviam deixado de existir, servindo-se de horrores ultrapassados para justificar um apocalipse desnecessário.
Príncipe Burguês Mimado: Infância Privilegiada e Juventude de Marx
Karl Marx não saiu do fumo das fábricas nem da fome dos bairros miseráveis. Nasceu em 1818 no seio de uma família de origem judaica (mais tarde convertida ao cristianismo luterano) integrada na elite confortável de Tréveris. O pai, Heinrich Marx, era advogado de êxito e auferia cerca de 1.500 táleres por ano, o que o colocava entre os 5% de maiores rendimentos da cidade. Para se ter uma ideia, um táler na década de 1830 comprava o equivalente a 25 ou 30 euros actuais, o que situaria o rendimento anual de Heinrich entre 37.000 e 45.000 euros, numa localidade onde a maioria dos trabalhadores vivia com uma fracção desse valor. A casa dos Marx tinha dez divisões, possuía uma vinha e empregava criados. Em suma, Karl não nasceu na pobreza mas no privilégio, ironia que a mitologia dos anos posteriores tratou de varrer para debaixo do tapete.
Desde criança, Marx mostrava o temperamento de quem se habituara a mandar, não a partilhar. Anedotas familiares, registadas pela filha Eleanor, descrevem-no como um “tirano” para com as irmãs, chegando a obrigá-las a comer bolos de lama apenas para afirmar a sua autoridade. Histórias aparentemente banais, mas com peso simbólico: o jovem Marx já ensaiava o papel de senhor sobre subordinados, mesmo em brincadeira.
Na universidade, o padrão de arrogância só se acentuou. Matriculado primeiro em Bona e depois em Berlim, Marx viveu como príncipe. Arrendava os quartos mais caros, brindava com champanhe e acumulava dívidas sem grande preocupação em saldá-las. As cartas do pai desse período oscilam entre o desalento e a exasperação. Numa de 1837, Heinrich lamentava que o filho tivesse gasto quase 700 táleres num só ano, quando até os estudantes mais abastados se contentavam com 500. A imagem é clara: um jovem convencido de que os recursos existiam para satisfazer os seus caprichos, sem pensar no peso que isso lançava sobre os outros. Enquanto a família em Tréveris enfrentava surtos de cólera e privações bem reais, Karl pouco se interessava, absorto nos seus excessos.
“Como se fôssemos homens ricos, o meu Herr Son gastou num ano quase 700 táleres, contrariando todos os acordos e costumes, enquanto os mais ricos gastam menos de 500. E porquê? Faço-lhe justiça ao dizer que ele não é um libertino nem um esbanjador. Mas como pode um homem que a cada semana ou duas descobre um novo sistema e tem de rasgar trabalhos antigos laboriosamente concluídos, como pode ele, pergunto eu, preocupar-se com ninharias? Como pode submeter-se à mesquinhez da ordem? Todos metem a mão no seu bolso e todos o enganam, desde que não o perturbem nos seus estudos, e logo se escreve novamente uma nova ordem de pagamento, é claro.” - Carta de Heinrich Marx a Karl, 1837
Esse egoísmo prolongou-se na vida adulta. Quando Heinrich morreu, em 1838, Marx nem sequer compareceu ao funeral, preferindo permanecer em Berlim. A disputa pela herança que se seguiu disse mais sobre o seu carácter do que qualquer manifesto político. Cada filho teria direito a cerca de 362 táleres, mas Karl já recebera adiantamentos que ultrapassavam 900. Ainda assim, exigia mais, discutindo com a mãe por dinheiro até a relação se deteriorar. Para ele, os laços de sangue valiam menos do que a liquidez disponível.
Assim, muito antes de denunciar a família burguesa como estrutura “reduzida a simples relações monetárias”, Marx já encenava esse guião. Via a família como banco, as irmãs como brinquedos, e a educação como pretexto para extravagâncias aristocráticas. O homem que mais tarde se ergueria contra a ganância burguesa vivera como um príncipe burguês, sustentado precisamente pela classe que dizia desprezar. A sua arrogância juvenil não foi acaso biográfico, mas semente do ressentimento e das contradições que moldariam todo o seu projecto ideológico.
Núcleo Narcísico: Amargura, Rancor e Auto-Culto
Se a infância de Marx revela o príncipe mimado, a vida adulta deixa a descoberto o narcísico rancoroso. Observadores contemporâneos que o conheceram de perto traçaram um retrato não de visionário humanitário, mas de homem devorado pela amargura e pelo culto de si mesmo. Mikhail Bakunin, rival anarquista, socialista, que conviveu com ele, escreveu com veneno mas também com acerto:
“Marx não acredita em Deus, mas acredita muito em si próprio… o seu coração não está cheio de amor, mas de rancor, e tem pouquíssima simpatia pela humanidade.”
Gustav Techow, revolucionário mais neutro, não foi menos mordaz: reconheceu a Marx “superioridade intelectual rara”, mas acrescentou que qualquer nobreza de alma fora “devorada pela ambição e pelo ódio”. Não são caricaturas fabricadas por críticos modernos de “extrema direita, super-hiper-mega-ultra liberais”, mas juízos de homens que o viram, e conviveram, de perto.
A sua correspondência confirma o veredicto. Atormentado por furúnculos crónicos, Marx escreveu a Engels desejando que os seus esforços políticos dessem à burguesia “motivo para se lembrar dos meus carbúnculos até ao último dia de vida”. A esposa, Jenny, mais sensata, suplicava-lhe por vezes que atenuasse o tom dos manuscritos, advertindo que o rancor constante arruinava a força dos argumentos. O conselho caiu sempre em saco roto: o rancor era o argumento. Para Marx, a política não se destinava a emancipar operários, mas a vingar-se de um mundo que se recusara a coroá-lo como rei-filósofo.
Esse azedume contaminava as relações pessoais. Quando Engels perdeu a companheira de longa data, Mary Burns, em 1863, Marx limitou-se a um bilhete lacónico de condolências, passando logo em seguida, sem pudor, a mais um pedido velado de dinheiro. Engels ficou tão ferido com tal frieza que a amizade esteve por um fio. Repetidamente, Marx tratou os mais próximos não como camaradas, mas como cofres ou instrumentos das suas manobras. A “solidariedade” que proclamava nunca chegou à sua conduta diária.
Mesmo na política organizacional, o narcisismo sobrepunha-se à compaixão. Na Liga dos Comunistas e depois na Primeira Internacional, Marx expulsava ou marginalizava quem apelasse a “moral” ou “humanidade”, ridicularizando tais referências como sentimentalismos inúteis. Para ele, a revolução não era um movimento de pessoas, mas prolongamento da sua própria vontade, purgada de qualquer apelo à consciência. A ironia é evidente: o suposto profeta da libertação humana bania sistematicamente o sentimento humano do seu círculo.
A psicologia moderna dá nome a isto: contágio emocional. A amargura pessoal, vestida de retórica universalista, torna-se sedutora para outros que também guardam feridas semelhantes. A ideologia de Marx propagou-se menos por oferecer esperança do que por reflectir ressentimento, inveja, a promessa inebriante de que os fracassos não são culpa própria, mas obra de um qualquer “outro” opressor. Se Marx irradiava este rancor com tanta força, era porque ele era o centro da sua própria essência. As suas teorias não nasceram apenas da inteligência, mas da projecção da amargura, polida em doutrina.
Em suma, a “solidariedade” de Marx era uma máscara. Por trás não estava um homem movido pelo amor à humanidade, mas alguém que transformava o ódio em arma, contra a burguesia, contra rivais e até contra amigos, enquanto convencia outros a baptizar os seus próprios ressentimentos nas águas do “socialismo científico”.
Hipocrisia para com o Proletariado: A Indiferença pelos Trabalhadores
Nenhum mito sobre Marx é mais persistente do que o do grande campeão da classe operária. Mas os factos são teimosos: o homem que dizia falar em nome do proletariado nunca se deu ao trabalho de entrar numa fábrica, numa mina ou numa tecelagem. Engels convidou-o mais de uma vez a visitar a paisagem industrial de Manchester, o verdadeiro “coração das trevas” da Revolução Industrial. Marx recusou. O autor de O Capital preferia perder-se entre livros na sala de leitura do British Museum a sujar as botas na fuligem dos operários cuja causa afirmava encarnar. O seu conhecimento das condições de trabalho vinha quase todo em segunda mão, sobretudo através de A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra (1845), de Engels, livro escrito décadas antes de O Capital ver a luz do dia.
Quando efectivamente se cruzou com trabalhadores (relojoeiros, tipógrafos e artesãos) desprezou-os por serem demasiado moderados, reformistas, pouco radicais. Faltava-lhes, a seus olhos, a sofisticação teórica da elite intelectual com que preferia rodear-se. Na prática, Marx estava bem mais à vontade entre radicais burgueses como ele do que entre os operários que romantizava no papel.
A tragédia é que a indiferença de Marx pelos trabalhadores de carne e osso cegou-o perante o progresso real que estes alcançavam. As fábricas de Manchester que Engels o incitou a visitar nos anos 1860 já não eram os infernos descritos em 1845. As Factory Acts de 1833, 1844, 1847 e 1853 tinham reformado o trabalho industrial de forma sistemática: instituíram o dia de dez horas, limitaram o trabalho infantil e criaram corpos de inspectores profissionais. Os trabalhadores, pela via do “reformismo burguês”, conquistaram aquilo que a revolução de Marx apenas prometia: jornadas mais curtas, condições mais seguras, protecção legal. Marx, porém, descartava essas vitórias como insignificantes, preferindo os seus operários teóricos, eternamente sofredores, eternamente revolucionários, aos verdadeiros, que melhoravam a vida por meio da política prática.
Esse desprezo infiltrou-se na própria organização política. A Liga dos Comunistas, fundada em 1847, incluía apenas uma mão-cheia de operários, dois tipógrafos, mais simbólicos do que influentes. As decisões reais cabiam a Marx e ao seu círculo de intelectuais. Trabalhadores que defendiam reformas graduais, menos horas, salários mais altos, melhorias palpáveis, eram afastados ou expulsos. Marx argumentava que tais conquistas anestesiavam o fervor revolucionário. Melhor que os operários sofressem mais, insinuava, para que a revolução chegasse mais depressa. A compaixão pelas vidas concretas cedia lugar à teoria abstracta.
A hipocrisia estendia-se às quatro paredes da sua casa. Enquanto bramava contra a exploração capitalista, Marx explorava a própria criada, Helene “Lenchen” Demuth, que trabalhou décadas sem salário, cozinhando, limpando e até criando os filhos dele. Quando Demuth deu à luz um filho fora do casamento (muito provavelmente do próprio Marx) não recebeu nem reconhecimento nem sustento. O libertador dos oprimidos mantinha na cozinha uma mulher oprimida, não pelo jugo do salário, mas pela servidão gratuita.
A história repetiu o padrão. Marx tratou os trabalhadores como instrumentos, não como pessoas. E, os regimes marxistas, da Tcheka de Lenin à Revolução Cultural de Mao, fariam o mesmo. O homem que pregava libertação legou ao mundo não solidariedade, mas um guião para intelectuais governarem em nome do povo, esmagando o próprio povo.
Fiascos Financeiros: Dívidas, Ressentimento contra a Usura e Ideologia Oportunista
Se as teorias de Marx trovejavam contra o capital, não era a partir de uma posição de pureza, mas sim das nódoas deixadas pela sua própria incompetência financeira. A sua vida foi uma batalha constante com credores, senhorios e editores que tinham a ousadia de esperar reembolso. Desde jovem, Marx pediu emprestado de forma temerária, iludiu credores e deixou atrás de si um rasto de contas por pagar em todas as cidades que habitou. Em 1845 chegou mesmo a embolsar um adiantamento de 1.500 francos do editor Leske para um livro sobre economia francesa, manuscrito que nunca chegou a existir. O dinheiro, naturalmente, desapareceu, mas a dívida ficou.
Londres, onde Marx passou grande parte da vida adulta, transformou-se em palco deste teatro financeiro sem fim. Os credores batiam à porta, enquanto Marx se esgueirava em esquivas. As suas dívidas não eram as modestas de um homem a lutar pela sobrevivência, mas sim as contas inchadas de quem insistia em viver acima das próprias posses. Comprava charutos, vinho e confortos burgueses, enquanto Jenny, sua mulher, penhorava os haveres da família para pôr comida na mesa. O revolucionário que condenava as “ilusões consumistas” do capitalismo era, na prática, um apreciador dos seus prazeres. Soa familiar?
Grande parte dos seus empréstimos vinha de agiotas judeus, comuns no submundo financeiro londrino, onde as restrições da sociedade cristã haviam empurrado os judeus para o crédito de pequena escala. Marx queixava-se amargamente de que esses credores não lhe perdoavam as dívidas, transformando ressentimento pessoal em polémica. No seu célebre ensaio de juventude Sobre a Questão Judaica (1843), equiparou o judaísmo ao mercadejar e à obsessão pelo dinheiro, escrevendo que “o dinheiro é o deus ciumento de Israel”. Muitos historiadores têm sublinhado os laivos antissemitas desse texto, mas o contexto biográfico fá-los parecer sobretudo raiva deslocada face às suas próprias falências. Marx não estava apenas a teorizar sobre o capitalismo: estava a descarregar contra aqueles que lhe apresentavam as contas.
Enquanto denunciava os capitalistas como exploradores, dependia de Engels, cuja fortuna vinha de uma fábrica de algodão em Manchester, alimentada por trabalhadores explorados, para mais de metade do seu rendimento em adulto. Engels pagava-lhe as contas, livrava-o dos credores e sustentava-lhe a carreira literária. Marx, em suma, viveu à custa do mesmo sistema que jurava destruir.
É difícil não ver nestes fiascos financeiros a semente emocional da sua ideologia. Um homem atolado em dívidas, humilhado por credores e incapaz de gerir a mais simples aritmética doméstica encontrou catarse em vociferar contra a “usura” e o “capital”. O seu socialismo foi menos fruto de ciência económica do que de ressentimento pessoal, uma filosofia forjada como terapia, não como verdade.
O ódio ao capitalismo não nasceu de uma grande visão, mas de uma vendetta pessoal contra um mundo que insistia que as dívidas deviam ser pagas. E dessa mesquinhez cresceu uma doutrina que viria a justificar a expropriação de milhões em nome de um homem que nunca conseguiu equilibrar as próprias contas.
A ironia adensa-se quando se percebe que esse rancor alimentado por dívidas levou Marx a ignorar a verdadeira capacidade de adaptação do capitalismo. Os ciclos de expansão e crise, bem como a concentração de riqueza que denunciava, eram reais, mas também o eram as reformas que lhes respondiam, impostos progressivos, protecção laboral, seguros sociais. Os seus agravos pessoais cegaram-no à aptidão do capitalismo para se corrigir a si próprio.
Fraude Intelectual: Plágio, Distorções e o Manifesto por Encomenda
Marx vangloriava-se de oferecer um “socialismo científico”, alternativa rigorosa aos sonhos difusos dos socialistas utópicos. Mas basta raspar a superfície para que a ciência se revele mais tesoura e cola do que verdadeira investigação. Os seus lemas mais célebres nem sequer lhe pertenciam. “Trabalhadores de todos os países, uni-vos!” já circulava anos antes entre radicais alemães emigrados, como Joseph Schapper. “A cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades” era de Louis Blanc, socialista francês. Até o grito dramático “Os trabalhadores nada têm a perder senão as suas cadeias” remonta a Jean-Paul Marat. A tirada poética sobre a religião como “ópio do povo”? Um empréstimo de Heinrich Heine. E a teoria do valor-trabalho, pedra angular da economia marxista, vinha directamente de Adam Smith e David Ricardo. O que Marx trouxe não foi originalidade, mas o desplante de embrulhar estes fragmentos como se fossem revelação própria, baptizando o plágio de profecia.
Ainda mais grave foi o anacronismo deliberado. O Capital (1867) tratava o A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra (1845), de Engels, como se fosse testemunho contemporâneo, ignorando vinte e dois anos de reformas transformadoras. Em 1867 os operários britânicos já tinham superado as condições descritas por Engels, precisamente através daquelas “reformas burguesas” que Marx declarara impossíveis. Escreveu como se as Factory Acts nunca tivessem sido aprovadas, pois reconhecer reformas bem-sucedidas seria admitir que o capitalismo podia melhorar. O seu método “científico” exigia apagar as provas que desmentiam a necessidade revolucionária. Pior ainda, adulterava estatísticas oficiais, resumindo trechos dos “Blue Books” parlamentares de forma a eliminar contra-exemplos. Já no fim do século XIX, estudiosos de Cambridge acusavam-no de “citações fictícias”. O filósofo Karl Jaspers resumiu-o com precisão: o método de Marx não era investigação científica, mas justificação. Acumular provas a favor e suprimir as contrárias. A “ciência” era máscara, não método.
Nem sequer o manifesto que o tornou famoso nasceu como rugido espontâneo do proletariado. Tratava-se de um panfleto encomendado para um pequeno clube de emigrados (para os “conspiracionistas”, provavelmente os tais…), maioritariamente alemães. A Liga dos Comunistas, dominada não por operários exaustos mas por intelectuais burgueses, contratou Marx e Engels em 1848 para redigir uma plataforma para a mesma. O que saiu, O Manifesto Comunista, foi menos um clamor popular do que um panfleto de propaganda oportunista, mais tarde usado para levar a cabo a revolução Bolchevique e outras atrocidades que se lhe seguiram. No fundo, um trabalho pago a um radical em dificuldades, disfarçado de destino histórico.
O mesmo padrão repetiu-se nos discípulos. Trotsky, em A Deles Moral e a Nossa, declarou abertamente que a mentira e a fraude eram instrumentos legítimos da revolução. Lenin, do mesmo modo, defendia “todos os artifícios e métodos ilegais” em prol do poder. Não foram desvios da doutrina de Marx, mas herdeiros lógicos do seu desprezo pela moral como coisa “sentimental”. Se Marx manipulava factos, deturpava dados e apropriava-se das ideias alheias em nome da sua “ciência”, por que motivo hesitariam os seus seguidores em manipular a própria verdade no caminho da revolução?
A reputação de Marx como intelectual de envergadura assenta, portanto, em alicerces frágeis. O que ofereceu não foi originalidade, nem rigor, e muito menos ciência, mas um remendo de frases alheias e provas adulteradas, cosido com rancor e vendido como inevitabilidade. O Manifesto podia trovejar contra a burguesia, mas na realidade nascera de uma encomenda burguesa, uma fraude embrulhada em bandeiras revolucionárias.
A Fraude Persistente e o Amargo Legado do Marxismo
Chegados ao fim desta escavação, a figura de Marx surge como sintoma de algo maior. O seu narcisismo, a sua preguiça, o seu ressentimento, não ficaram confinados à sua biografia. Tornaram-se sementes de uma ideologia que, ao ser posta em prática, nunca libertou, apenas escravizou. O “socialismo científico” foi a capa respeitável de uma mentira duradoura: que a humanidade poderia ser regenerada através da destruição, que a miséria seria redimida pelo ódio.
O resultado está escrito a sangue no século XX. Na Rússia, a revolução prometida em nome dos operários acabou com os próprios operários fuzilados ou deportados para gulags. Na China, milhões morreram de fome sob planos quinquenais desenhados por académicos que nunca semearam um campo. No Camboja, intelectuais incitaram camponeses a exterminar intelectuais, até que sobraram apenas ossadas. Do Leste europeu a Cuba, do Vietname à Coreia do Norte, o padrão repetiu-se: uma nova elite emergia, o proletariado era descartado, e a ditadura prometida “em nome do povo” tornava-se a ditadura contra o povo.
E no entanto, no Ocidente, assistimos hoje a uma curiosa reedição deste fetiche. Professores, jornalistas, activistas e políticos ainda suspiram por Marx como se fosse um profeta incompreendido. Ignoram os cem milhões de mortos, varrem para debaixo do tapete a catástrofe económica, e continuam a vender aos jovens a mesma mercadoria ideológica envenenada. Não é inocência, é desonestidade. Sabem bem que nunca foram os intelectuais a morrer pela revolução: foram sempre os outros, os operários, os camponeses, os soldados rasos, que pagaram o preço. E uma vez no poder, os revolucionários profissionais liquidaram os revolucionários de verdade, porque estes sim eram ameaça à nova casta dirigente.
Entretanto, o capitalismo que Marx desprezava, o capitalismo de mercado livre, não a caricatura monopolista, mostrou-se o maior motor de prosperidade da história. Tirou mais gente da pobreza do que qualquer revolução, multiplicou oportunidades, elevou padrões de vida. “A maré, quando sobe, levanta todos os barcos.” Os dados estão aí, para quem quiser ver.
O que está em causa, portanto, não é apenas uma revisão do passado, mas uma batalha pelo presente. Nas escolas, nos filmes, nos manuais de história, repete-se a lavagem da mesma utopia fracassada e bafienta. Aos jovens vende-se a ideia de que o comunismo é um ideal nobre “ainda não tentado da forma certa”. Mas a história já respondeu, e respondeu em cadáveres. Esquecer é repetir.
Eis o verdadeiro apelo: não se deixem seduzir pelo glamour vermelho que hoje volta a circular em campus e redes sociais. Eduquem-se, investiguem, aprendam o que aconteceu quando Marx deixou de ser um escritor falhado e passou a ser a bandeira de regimes reais. Questionem os que, por vaidade ou sede de poder, vos querem recrutar para o sonho revolucionário. Eles esperam que lutem e sofram em nome deles, para depois vos descartar como se descarta sempre o “idiota útil”.
O marxismo não é apenas uma fraude intelectual. É uma fraude histórica, ética e humana. O seu legado é inescapável: miséria, fome, violência, campos de prisioneiros, elites parasitárias mascaradas de redentores. O capitalismo tem falhas, sim, mas são falhas humanas corrigíveis, não falhas sistémicas fatais. O marxismo, pelo contrário, é fatal, literalmente, desde a origem.
Quem esquece a história está condenado a repeti-la. O nosso dever é não esquecer.
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